quinta-feira, 5 de julho de 2012
Melancolia criativa
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
É uma saudade que eu tenho: carrego debaixo do braço pra cima e pra baixo, e quando tenho tempo começo a folheá-la pra lembrar. É como um livro com ilustrações, a história dessa falta que você me faz e ponto final. Um monte de palavras que não dizem nada, que às vezes leio pra mim, antes de dormir. Uma comédia sem risos uma tragédia sem pranto. Pode ser tudo ou nada, qualquer coisa-e-foda-se. Início meio e fim e foi. Não precisa fazer sentido ou ser moralista, nosso amor sem fim que acabou em determinado parágrafo. Às vezes parece poesia noutras-é-pura-insanidade-sem-pontuação. Já não sei se escrevo pra esquecer ou pra lembrar, mas continuo escrevendo sobre essa saudade. Que não existe além de minha subjetiva capacidade criativa de imaginar que você não possa existir sem mim. Fora do alcance de meus dedos, nada existe nem me importa. Contudo, dentro dessa ilusão construo nosso universo perfeito onde você ainda é a garota de meus sonhos. Metaforicamente retóricamente sem meias palavras ou palavra e meia simbolicamente sintaxe ponto e vírgula o caralho a quatro na ponta da língua: sinto-sua-falta-ponto-final.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
É que não basta essa saudade pra mudar as coisas. Às vezes, nem o mais intenso dos sentimentos virulentos e violentos consegue desfazer o que está feito, e mesmo que você ame compulsivamente aquele pequeno momento dormente no passado que jaz em seus pés frios da noite fria da sua cidade qualquer que seja, nada muda, nada muda. Porque tudo mudou, acabou se desfez se apagou em brandas e intragáveis tragadas de cigarro durante a madrugada solitária. E se foi e se foi embora pra sempre ou por tempo indeterminado, porque nada existe sem que exista a crença em sua existência e se você perde a esperança na coisa toda a coisa toda morre e desaparece sem o seu consentimento alardeado pelo medo do esquecimento. E vai embora sem dizer mais nada, sem dizer coisa alguma, porque essa é a maneira mais fácil de partir: sem dizer coisa alguma. Porque, afinal, se você diz alguma coisa existe a possibilidade de ouvir uma resposta que talvez destrua todas as suas certezas então você não sabe mais nada, você não tem mais certeza de nada.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Buk
terça-feira, 27 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
Meus pés e mãos estão gelados. Frios como se estivessem mortos antes da hora, foram sem mim e lá ficaram. Não sinto frio, nem qualquer outro incômodo. É uma coisa memorável, e invejada por muitas pessoas. Tudo o que sinto é um estranho peso em cada membro de meu corpo, como se eu fosse muito pesado para conseguir manter uma posição ereta e honorável. Parece que afundo no chão. Parece que a rua em minha frente se transformou em um precipício, e descer da calçada é como me jogar no vazio. Mas, nunca é. Sempre bato, invariavelmente, na solidez do asfalto chamado realidade. Caminho verossímil e cientificamente checado, além de testado diversas vezes no quesito sanidade. Esse frio é aquele, sabe? O famoso. O tal do encarar a triste realidade, dessa vez a de verdade. É a certeza, pela primeira vez na vida, de saber o que vai acontecer e não ter medo. Esse frio é não ter medo. A triste, a crua, a fria realidade. E lá vem ela me encarar novamente, do outro lado do espelho. Mas, dessa vez, sabemos o que fazer, não é? E do outro lado, o reflexo pisca para mim maliciosamente. Deve haver aqui, em algum lugar, um escrito que preste. Talvez se procurando. Ou talvez seja tudo fruto da minha imaginação. Pensando bem, a única coisa certa nessa vida é isso. Pisco eu desse lado do espelho e agora me vou para o lado de lá. Não entrego essa culpa a ninguém mais nessa vida, au revoir.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Como se não houvesse amanhã, larguei tudo que havia em minhas mãos e sai correndo por aí, porta a fora, voando pela janela mal encaixada na realidade do cotidiano pintado a tintas que não combinam com minhas cores favoritas. Então deixei meus medos para traz e comecei a viver de minha imaginação que cria todo dia o que preciso para ser. Louco de amor pela vida, a relva debaixo de meus pés fazendo parte de mim, o cheiro de chuva que exala do asfalto quente, o som do vento no arranha-céu, a beleza do sorriso sincero no rosto daquele que sofre mas é feliz. Uma árvore que brota de dentro do concreto e é abstrata! Tudo que pude crer que era o belo jamais será tão bonito quanto apenas enxergar a beleza que existe em algo que não pode ser chamado arte. A coisa mais tocante é a arte natural que nasce em qualquer calçada, é a nota musical que ecoa de um motor, ou do canto de um pássaro, coisas inalcançáveis, inatingíveis, coisas que apenas são e não pedem licença para existir. Sentir o mundo em sua plenitude talvez seja mais bonito do que transformá-lo em arte. Morre-se tentando. E a luz do sol está lá fora, para queimar-lhe a face, junto com o vento que sopra para emaranhar-te os cabelos. Vá embora e manda um postal do infinito!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Minha querida Bailarina,
Faço esse texto em sua saudade.
Isso aqui é um lamento com algumas rimas. Mal estar recitado, essa falta que você me faz virou arte. Saudade, saudade, saudade. E nem sei de quê. Se você aparecesse bem agora, eu não teria imaginação suficiente para fazer qualquer coisa que não lhe abraçar e ficar intocado, inabalável ao seu lado. Intoxicado com tanto amor no sangue que corre em minhas veias. Ataques, ataques, ataques, ataques epiléticos de prazer incomensurável por sua culpa, paixão de loucura. Pode parecer chato ficar quieto ao seu lado, mas há muita sinceridade em meu silêncio. Eu me explico calado.
Essa saudade toda ainda me mata algum dia! Ah, se mata! E não venha declamar então que me amava, porque aí vai ser tarde. Mas, eu terei imortalizado você em minhas letras e minhas dores. A exemplo de Kerouac, você é minha desamparada Tristessa. Minha bailarina de pés descalços que dança sobre a eternidade da noite e do céu, a imortalidade da alma reside no sentimento criado ao ver seus passos elegantes na imensidão do infinito. E você nem sequer se dá conta disso tudo que significa para mim, observar você. Tê-la em meus braços, abraços eternos.
Segura em meu braço e vamos embora! Para onde? Que pergunta boba: não importa!
Bosta, malditas memórias – queria essas lembranças esquecidas em qualquer lugar. Empoeiradas e bonitinhas como um álbum de fotografias que eu pudesse pegar só quando quisesse. Esconder no armário, debaixo da caixa onde está guardado o gosto de seu beijo e aquele seu falatório infinito sobre as mesmas velhas histórias que sei de cor e não me canso de ouvir. As gavetas em meu peito deveriam ter tranca, e que alguém mais sensato do que eu guardasse as chaves. Essa lembrança parece uma foto amassada e marcada pelo tempo, mas ainda muito nítida para conseguir jogar fora.
Ainda escrevo esses poemas, por quê? Por quem e para quem?
Um dia esqueço, mas não resistiria a escrever também esse esquecimento.
Lá! Sentada na relva de minha saudade – ou nossa – está você, lendo um livro à sombra. Esse sol está mesmo de matar. Pronto, fez-se a noite. Aqui tudo é possível, é meu sonho de alguma noite de qualquer estação que eu quiser e sempre. É noite. Sentada na relva à noite, espera a minha chegada para o piquenique. Com algodão-doce e brigadeiro, só porcaria – mas que graça teria um piquenique saudável? Que graça teria um piquenique sem você? Eu não sei, nem me pergunte. Enquanto isso...
Para onde agora?
Ao circo, ao cinema, ao movimento frenético de nossos corpos entrelaçados em minha cama. Não tem mais rima em lugar nenhum! Cadê a poesia? É só saudade para todo lado, borrifando em meu rosto. Foi o Ferlinghetti que disse que nem todo o mundo tinha uma vida interessante para encher um livro sem revisão, não é? Acho que sim. Não devo ter uma vida dessas, mas minha única leitora é o que basta. E basta essa saudade para que todo texto seja pura poesia. Esse pedaço de saudade que sigo mascando como um chiclete que não tem fim nunca, como o do Willie Wonka. E esse amor é uma barra de chocolate dele também, com um sabor irrepetível, inigualável, que eu nem sei explicar que gosto que tem.
Minha linda Bailarina, um dia eu arranco essas suas malditas sapatilhas a dentadas e descubro se você é de verdade. Eu ainda amordaço essa sua mística e calo a boca de toda sublimação por parte da minha alma. Ainda falo contigo em algum café qualquer, fumando um cigarro infinito, de alma para alma. Desce desse palco e vem para a platéia comigo, vamos embora do teatro no meio do espetáculo – e pedimos o dinheiro de volta na saída! Eu ainda surpreendo essa gente toda por não ser o que deveria ser. Enquanto todos dizem “não, não” segura em minha mão e vamos caminhando por entre as fileiras – as cortinas ainda abertas, mas sem show essa noite. Sem maquiagem, sem texto decorado ou improviso santificado no altar da divina arte. É absurdo é surreal é belo mas não é arte. É pura invenção da loucura, que não nasceu para ser coisa alguma que não seja ela mesma – sem forma nem conteúdo. E lá vamos nós. Nus.
Chama o manobrista para buscar minha abóbora. Fechou o estacionamento, passa da meia-noite. Que bosta, vamos correndo correndo correndo, até chegar a lugar nenhum, sentar em algum banco de praça no vazio, com passagens de trem sem nada escrito nelas, sem destino, sem malas, sem trem. Acendo um cigarro e acaba a história, para começar outra, claro. Chegou o trem “mas não tinha trem” agora tem e já vai partindo com suas despedidas chorosas com lencinhos brancos, fumaça, fumaça, e alguém notou que não há trilhos: para onde vamos? Não sei! Não temos nem trilhos e você me faz uma pergunta besta dessas?!
Para onde agora? Só poderíamos saber juntos. Ou talvez já estejamos a caminho do tal lugar, e quem chegar primeiro espera um cadinho só. Estou chegando.
Dedico essas linhas a suas sapatilhas que dançam sobre minha cabeça atormentada pela loucura dessa
Saudade do impossível,
Bom dia, minha linda Bailarina.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Canto de amor
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Cada vez que se encontravam era como se fosse para sempre. Brilhava em seus olhos o desejo e a vontade. Eram o sonho um do outro, a grandeza do sentimento todo contido em apenas uma pessoa: pequenina. Do tamanho de seu abraço. Eram o gosto da felicidade, o sopro de alegria. O riso incontido. Desafiaram a improbabilidade do amor e fizeram emocionar ao mais cético dos chatos. Iluminados pelas estrelas dançaram uma valsa envolta pela noite melancólica dos outros. Foram a inveja do mundo, quando conseguiram chegar ao céu, abraçados, apaixonados. Deitaram nas nuvens e viram a face de deus, enquanto chovia lá embaixo. Foram tudo que as pessoas comuns apenas sonharam. Realizaram seus sonhos no espaço curto de um beijo. E cada novo beijo era um novo sonho que surgia e enchia o mundo de alegria e cores vivas. Cada beijo era um novo gosto: brigadeiro, chocolate, morangos, chantilly. Cada aconchego um novo calor, um novo abraço, um novo toque na pele. Cada vez que se encontravam eram completos, eram puro amor. Cada segundo de suas vidas valia a pena por aquele momento. Todas as dores de se viver, toda melancolia e tristeza era um pequeno detalhe insignificante, quando se encontravam. Quando se encontravam, eram eternos, para sempre, improváveis seres perfeitos. Quando encontraram o lugar ao qual pertencem. Encontraram-se.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Havia algo estranho no ar daquela noite. Acredito que ninguém saberia dizer exatamente o que, mas, a desforra estava preparada há muito tempo. Não se sabia, mas alguns puderam sentir – como uma brisa que corresse pelo vão da porta, ou uma rajada aterradora passeando pelas ruas desertas. Eu? Eu senti. Estava sentado imóvel havia algum tempo no parapeito de minha janela, pensando no que havia para pensar. Olhava para a rua lá em baixo, em tons cinzentos de cidade grande, quando um arrepio, um leve sopro de verdade me inspirou medo.
Tive medo do que haveria de acontecer a tudo e a todos.
A vida é como subir num palco pela primeira e derradeira vez, sem direito a ensaio. Quantos erros poderiam ser evitados se houvesse uma prévia conversa a respeito. Mas é aqui e agora. Pela primeira e ultima vez, sem emendas. Existe uma coisa que faz parte disso tudo que é a forma pura da crueldade divina: o amor. Que não se repete jamais, nunca ninguém o conheceu duas vezes com distintas pessoas. A vida em si é algo ligeiro e ineficaz, agora o amor é insignificante. Por mais que alguém lute por tê-lo em plenitude, nunca basta! Droga viciante. Sempre se quer mais e mais e mais. Mas, acaba. O amor é uma ironia. Todos devem rir de uma pessoa que ama, agora e para sempre – inclusive Deus.
A alma de quem ama se dilacera. Ela acredita que nunca foi completa e espera ser recomposta pelas mãos do ser amado. Espera ser esculpida numa forma perfeita, pelas mãos da única pessoa capaz de encontrar seu verdadeiro sorriso por debaixo de tantas tintas borradas. A alma de quem ama não existe, ela espera ser completa em conjunto: ela espera a outra alma capaz de lhe fazer plena.
O amor é improvável.
Naquela noite, uma pobre alma apaixonada encontrou a limitação de seu amor. Coisa que nunca haviam dito a ela que existia. Até então tudo era fraco demais perante a força de vontade da paixão. Mas o amor encontrou seu maior adversário, não ser amado em retorno. Parece tão bobo de sua parte, amar tanto para não ser amado no final. O destino é sarcástico demais com seu sorriso gasto. Quando procurou nos olhos do ser amado por alguma coisa que não palavras vazias e promessas desfeitas, não encontrou nada além. Aqueles olhos continham em si sua própria mentira. Não havia olhos ali, não havia nada.
Fechou seus próprios olhos e encarou o amor que sonhava, em sua imaginação. Sem encontrá-lo onde esperava, ou seja, naquele ser em sua frente. O amor todo estava contido apenas em si, era uma mentira bem contada – havia se convencido daquilo sem nunca ter visto, apenas sonhado. Agora que procurava a mão companheira para enfrentar a vida juntos, não encontrava dedos nem pele, a idéia de amor sucumbira a realidade e o que restava era fumaça onírica de alguém moldado pela loucura.
Pediu, pediu... Gritou porque queria acreditar. Nada veio, nada ficou. Ela se foi, carregando suas lembranças, seus beijos. Ele se foi, carregando seus sonhos debaixo do braço. Caminhando a esmo pela dura realidade, agora inquestionável. Deitados a noite em seus travesseiros, não se conhecem, não se encontram. Não são. Inexistem. Não sonham um com o outro ou se desejam. Eles deixaram para trás a parte mais bela de suas vidas. Esqueceram como é que se faz para amar.